"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
domingo, 4 de setembro de 2016
sábado, 3 de setembro de 2016
"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão. Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arrancam lágrimas e canções. Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar. E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene. Era o espírito da gravidade. Ele é que faz cair todas as coisas. Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem! Vamos matar o espírito da gravidade! Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr. Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora voo, agora vejo por baixo de mim mesmo, agora um Deus dança em mim!"
Friedrich Nietzsche
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
PLATÃO E ARISTÓTELES
Platão destaca, na República (livro III), a importância da educação musical dos futuros guardiões da cidade, ao dizer: “[...] a educação pela música é capital, porque o ritmo e a harmonia penetram mais fundo na alma e afetam-na mais fortemente [...].” (PLATÃO. A República. Tradução e notas de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2001. p. 133.)
A música deve desenvolver sentimentos éticos nobres para bem servir a cidade e os cidadãos. Assim, a música deve moldar qualidades como temperança, generosidade, grandeza de alma e outras similares.
Na República, Platão faz a seguinte consideração sobre os poetas:
“[...] devemos começar por vigiar os autores de fábulas, e selecionar as que forem boas, e proscrever as más. [...] Das que agora se contam, a maioria deve rejeitar-se. [...] As que nos contaram Hesíodo e Homero - esses dois e os restantes poetas. Efectivamente, são esses que fizeram para os homens essas fábulas falsas que contaram e continuam a contar.” (PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 8. ed. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1996. p. 87-88.)
Por seu turno, na Poética, Aristóteles diz o seguinte a respeito dos poetas: “[...] quando no poeta se repreende uma falta contra a verdade, há talvez que responder como Sófocles: que representava ele os homens tais como devem ser, e Eurípides, tais como são. E depois caberia ainda responder: os poetas representam a opinião comum, como nas histórias que contam acerca dos deuses: essas histórias talvez não sejam verdadeiras, nem melhores; [...] no entanto, assim as contam os homens.” (ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1973. p. 468. Os Pensadores IV.)
Platão e Aristóteles concordam com o fato de o poeta falar o falso, só que para Platão suas fábulas são indignas para a juventude, enquanto que, para Aristóteles, a poesia por ser mímesis não precisa dizer a verdade.
[...] não é ofício de poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. Com efeito, não diferem o historiador e o poeta por escreverem verso ou prosa [...] (ARISTÓTELES. Poética. Tradução de Eudoro de Souza. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p. 249.)
Para Aristóteles a poesia refere-se, principalmente, ao universal; a história, ao particular.
POESIA - POÉTICA
“[...] a poesia, o nomear que instaura o ser e a essência das coisas, não é um dizer caprichoso, mas aquele pelo qual se torna público tudo o que depois falamos e tratamos na linguagem cotidiana. Portanto, a poesia não toma a linguagem como um material já existente, senão que a poesia mesma torna possível a linguagem. A poesia é a linguagem primitiva de um povo histórico. [...] então é preciso entender a essência da linguagem pela essência da poesia.” (HEIDEGGER, Arte e poesia. 1992).
Através deste fragmento, podemos visualizar que é preciso entender a essência da linguagem pela essência da poesia, pois a poesia mesma é que torna possível a linguagem.
A arte está muito além da beleza, a arte provoca em nós sentimentos e pensamentos que estão intimamente relacionados a nossa capacidade de reflexão. Os movimentos artísticos e os verdadeiros gênios que já passaram por esse mundo, sempre buscaram relacionar sua arte com a política e com a sociedade em geral. Por esses e outros motivos, a arte juntamente com a filosofia provoca nossos mais profundos pensamentos acerca do mundo em que vivemos e de nós mesmos.
WALTER BENJAMIN
"Em suma, o que é a aura? É uma figura singular, composta de elementos espaciais e temporais: a aparição única de uma coisa distante, por mais perto que ela esteja. Observar, em repouso, numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no horizonte, ou um galho, que projeta sua sombra sobre nós, significa respirar a aura dessas montanhas, desse galho. Graças a essa definição, é fácil identificar os fatores sociais específicos que condicionam o declínio atual da aura. Ele deriva de duas circunstâncias, estreitamente ligadas à crescente difusão e intensidade dos movimentos de massas. Fazer as coisas "ficarem mais próximas" é uma preocupação tão apaixonada das massas modernas como sua tendência a superar o caráter único de todos os fatos através da sua reprodutibilidade". (Fonte: BENJAMIN, W. "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica". In: Magia e Técnica, Arte e Política. Obras Escolhidas. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. São Paulo: Brasiliense, 1985, p. 170.)
O declínio da aura decorre do desejo de diminuir a distância e a transcendência dos objetos artísticos. Já que a obra é aquilo que nos transporta ao distante, quanto mais próximos queremos ficar dela, acontece a perda do seu valor de culto e da sua aura artística.
Sobre a crítica de arte, Benjamin afirma:
“É preciso mais crítica para tornar os espaços mais plurais e mais compartilhados, precisamos falar sobre tudo aquilo que nos causa movimento.”
Diante dessa afirmativa é possível dizer que, a crítica de arte significa explorar os contextos e as releituras da obra. Afinal a crítica nada mais é do que um movimento que se dá a partir da obra, e pretende enaltecer todos os contextos que ela revela.
quarta-feira, 15 de junho de 2016
Quando Nietzsche chorou...
Cara Lou,
Não escrevas cartas como aquela para mim! Que tenho a ver com essa desventura? Gostaria que pudesses te elevar diante de mim de modo que não tivesse que te desprezar. Mas Lou! Que tipo de cartas estás escrevendo? Colegiais ávidas por vingança escrevem assim! Que tenho a ver com essa lástima? Por favor, compreende, quero que te eleves diante de mim, não que te reduzas. Como posso perdoar-te se não reconheço mais aquele ser em ti pelo qual poderias chegar a ser perdoada? Não, cara Lou, ainda estamos a uma longa distância do perdão. Não posso sacar o perdão de minhas mangas depois que a ofensa teve quatro meses para penetrar em mim. Adeus, cara Lou, não te verei novamente. Protege tua alma de tais ações e pratica o bem pra como os outros e, especialmente par o meu amigo Rée, o que não pudeste fazer de bom para mim. Não fui eu quem criou o mundo e, Lou, gostaria de ter criado - então conseguiria suportar toda a culpa por terem as coisas entre nós tomado o rumo que tomaram. Adeus, cara Lou, não li sua carta até o fim, mas já havia lido demais...
(Carta de Friedrich Nietzsche a Lou Salomé de dezembro de 1882)
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Sobre o contexto filosófico
“Dizer que as indagações filosóficas são sistemáticas significa dizer que a Filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos, busca encadeamentos lógicos entre os enunciados, opera com conceitos ou ideias obtidos por procedimentos de demonstração e prova, exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado.” (CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 13ª ed., São Paulo: Ática, 2008, p. 21).
“Mais que saber identificar a natureza das contribuições substantivas dos primeiros filósofos é fundamental perceber a guinada de atitude que representam. A proliferação de óticas que deixam de ser endossadas acriticamente, por força da tradição ou da ‘imposição religiosa’, é o que mais merece ser destacado entre as propriedades que definem a filosoficidade.” (OLIVA, Alberto; GUERREIRO, Mario. Pré-socráticos: a invenção da filosofia. Campinas: Papirus, 2000. p. 24).
Como fundamento teórico e crítico, a filosofia ocupa-se com os princípios, as causas e as condições do conhecimento que pretende ser racional e verdadeiro, com a origem, a forma e o conteúdo dos valores éticos, políticos, religiosos, artísticos e culturais. Mas acima de tudo a filosofia envolve a maior de todas as artes, a de bem viver. (Marcella Martins)
sábado, 23 de abril de 2016
Conhece-te, Aceita-te e Supera-te...
"Torna-te quem tu és". Recomendado para espíritos livres.
"Quanta verdade suporta um espírito? Pois bem, não somos nada! Somos este caos que se perde nas bordas de si mesmo, um animal na jaula, somos as ondas que batem contra o rochedo, somos o deserto que se esparrama pelo mapa, por onde os ventos cruzam e as dunas se movem. [...] Mas estas forças que nos constituem estão constantemente pressionando, arrastando, empurrando o homem de um lado para o outro. Quem crê no sujeito são os fracos. Tornar-se quem se é significa transvalorar os valores, escolher outros, novos, brilhantes. Encontrar um modo de vida propício ao aumento de suas próprias forças vitais. Quebrar a corrente de escravo, nem mestre nem Deus, não ter mais nenhum senhor além de si mesmo."
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